terça-feira, 9 de setembro de 2008

GESTAÇÃO

Gestação

Bendita és tu Mulher,
Cheia de graça!
Bendito é o fruto do teu ventre
Óvulo fecundado,
Semente da vida,
Amor que germinou
Brotando luz!
Fonte luminosa que irradia
A magia prenhe de alegria
Na gestação do feto
Abençoado e coberto
Por pétalas de rubra rosa
Sangue misturando sangue
Bombeado do coração
Viva emoção
Na formação do outro ser,
Essência indivisível
E eterna,
Presente e presença de Deus,
Gerador de felicidade,
Vínculo sangüíneo,
Descendência,
Posteridade!
Botão a se abrir
Em flor
Nesta selva de concreto
Tingindo o cinza,
No verde esperança
Na evolução do feto-criança!

Carmen Vervloet

CANÇÃO DO ENCONTRO


CANÇÃO DO ENCONTRO

Os olhos se encontram,
o corpo estremece,
os pelos se assanham,
o coração se oferece!
Química perfeita!
Alma à espreita!
Nessa sincronia,
surpreendente magia
que liga dois seres
sem juramento,
em perfeito casamento!
Acasalamento
de corpos e almas
predestinados
ao amor!
Energias da natureza
em infinita grandeza
no misterioso universo,
instigante e complexo!
Sem explicação!
Numa fração
de segundos
muda o caminho!
Coloca bem pertinho
a felicidade esperada
em tantas madrugadas!
Cheiro de amor no ar
que exala da pele
e penetra nas entranhas!
Sintonia inexplicável...
Estranha...
Que desvenda segredos!

Enquanto o arco-íris
se esvai,
uma lágrima de alegria cai!
Aspergindo em bênçãos
o ímã
Que atraiu o amor!

Carmen Vervloet

Gênio dos Sonhos

Gênio dos Sonhos

Gênio dos sonhos,
Acenda esta chama
Que teima em se apagar
Neste sufoco de quem clama
Apenas em querer sonhar!

Gênio dos sonhos,
Nada sem você se completa
Já nem sei se sou louca ou poeta
Meus olhos perderam o brilho
Continuo vivendo
Mas não consigo existir
Meu tear já não tece
Sonhos de alegria
Minha poesia pulsa tristeza,
Palavras sem rimas,
As lágrimas encharcam a dor
Que pesa no peito,
Debato-me em solidão no meu leito
Clamando por um sinal
Para voltar a existir!

Gênio dos sonhos,
Preciso urgente que o sonho
Sacie minhas mais veladas loucuras
Ou sucumbirei para sempre
Presa neste cárcere!

Carmen Vervloet




VITÓRIA - Homenagem no dia do seu aniversário

Bebi das águas de seu mar.
Deitei-me em suas areias macias.
Andei pelas suas ruas a sonhar...
Suguei do seu povo a sabedoria.
Bebi a seiva de suas árvores.
E matei minha sede.
Criei raízes.
Dei frutos.
E fiquei enamorada para sempre.

Carmen Vervloet


quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Homenagem ao meu Pai



PAI

Quando a saudade aperta
Procuro-te
Em cada elemento da natureza
Que com maestria me ensinaste a amar.
Vejo neles a tua delicadeza
Teu imenso coração desenhado no ar.
Se eu procuro tua suavidade, busco-te na lua
Que do céu me sorri tão tua
E ainda encontro seu anil olhar
Sempre a me falar!
Seu cheiro encontro num botão a desabrochar,
Na terra molhada, pronta para arar.
A tua paixão pela ópera
Encontro no cantar do curió,
Dos pássaros, teu maior xodó,
Que trinava tua canção,
Ao nascer do dia, com exatidão.
Vejo tua alma entre as verdes matas
Que preservava com imensa devoção.
Nas orquídeas encontro a beleza
Do teu coração, pelas flores a tua afeição.
Na estrelinha perdida no céu
Encontro a tua admiração pelo belo,
Pelo puro, pelo singelo!
No rochedo encontro a tua determinação,
A tua força e a tua proteção!
No sol encontro o teu brilho e teu calor
E a imensidão do teu amor!
No espelho das águas
Encontro a tua face
Num entrelace de carinhos e afetos
Neste vínculo secreto
Que persiste entre nós
E jamais se dissolverá!
Porque pai, tu deixaste como herança,
Não a tua abastança,
Mas toda uma vida pautada
Na retidão de caráter, na honestidade,
Na simplicidade e sensibilidade.
Tatuaste todo o conjunto de teus traços
Na alma de tuas filhas
Que sobrevivem nesta ilha
Com o coração pleno de amor!
E se a vida é cheia de percalços
Guiadas por ti, nosso herói digno de fé
Passamos por eles descalços
Mesmo com bolhas nos pés,
Buscando sempre a sombra das árvores
As margens do rio,
O cair da tarde
E se o caminho é deserto
Você sempre está por perto
Num jardim de lembranças
Amenizando nosso sofrimento!
Pai, tu deixaste um belo exemplo
Seus mais nobres sentimentos
Que cultivamos num sólido templo!

Carmen Vervloet
Vitória, O7/08/2008