terça-feira, 19 de junho de 2012

A VIDA E O MAR




A vida e o mar em plena sintonia!
Avanços, recuos, incertezas
e a repetitiva melodia
das ondas que batem com indelicadeza

Labirintos por onde nos perdemos
enfrentando perigos e agitações,
navegando no limite do extremo
num barco sujeito às oscilações.

A vida é mesmo um mar obscuro,
sorvedouro de vivo contentamento,
mistério que ignora qualquer conjuro...
Mas que deixa tudo calmo num outro momento!!!

A vida e o mar são mesmo imprevisíveis,
ora ressaca, ora calmaria,
ora a serenidade aprazível,
ora a fúria que a alma avaria!

Carmen

Vervloet



segunda-feira, 18 de junho de 2012

Pintora de Emoções




No céu do meu coração
pinto sempre uma nova cor...
Pinto dias de afeição,
pinto coisas sem valor!

Pinto manhãs ensolaradas,
pinto tristes madrugadas,
pinto torto, pinto reto,
pinto você e muito afeto.

Pinto seus olhos profundos,
pinto o céu da sua boca,
pinto as alegrias do mundo,
pinto sua energia louca!

Pinto a vida e muita festa
e também a dor que resta...
No céu do meu coração
pinto com arroubo cada emoção!

Carmen Vervloet


terça-feira, 12 de junho de 2012

TE AMO



TE AMO

Quero submergir no teu universo,
quero proclamar em versos
o que nem sempre pude verbalizar.
Quero sanar a incompletude
de tudo que eu não pude te dar.

Quero atrelar nossos sonhos e cavalgar,
dar a mão da minha imperfeição
à mão da tua imperfeição
e sem medo caminhar...
Mimosear-te com tudo que é meu
alegria, felicidade,
minha eterna vivacidade,
prazerosa insanidade!

Quero no silêncio da noite
beijar teus lábios com calma,
sepultar os açoites
que machucaram nossas almas.
Quero nossos corpos tocando-se com ternura
arrepiando nossa pele em ingênua candura.
Quero a doce mistura de nossas bocas
salivando o mel da sedução...

E assim saborear o amor
construído em tantos anos...
Quero simplesmente dizer
te amo!

Carmen Vervloet

quinta-feira, 7 de junho de 2012

MARIA DE TAL




Molhada em lágrimas subiu o morro,
olhou o céu, contou as estrelas,
não se atreveu a pedir socorro,
escondeu as mazelas, tentou esquecê-las!

Guardou sua fome em segredo,
descansou sob um florido arvoredo
estonteada qual louco bêbado
vomitou na terra a bílis do medo!

Saiu em busca de alimento para a cria,
estendeu a mão implorando esmola,
seu corpo fraco por migalhas vendia...
Sofria tal qual tangida viola!

Salvar seus filhos o desejo ardente,
colheu migalhas na tosca sacola,
e alimentou a cria pálida e doente,
maltrapilha, faminta e sem escola!

Entregou pra Deus sua sofrida sina
e tombou ao som de triste toada,
deixando a cria desamparada...

Seu nome apenas Maria de tal,
sem CPF e desempregada,
negou-lhe a vida o fundamental!...

Carmen Vervloet

quarta-feira, 6 de junho de 2012

MEIO AMBIENTE



(PORTO DE TUBARÃO POLUINDO A CIDADE DE VITÓRIA)


Com as sandálias sujas de minério,
batemos na porta de cada ministério,
na peregrinação para salvar nossa cidade
soterrada por tantas adversidades...
Mas nossa voz não teve eco,
sentimo-nos meros bonecos,
emporcalhados de pó de minério
ou talvez almas penadas saindo do cemitério
ou ainda ETS vindos de outra galáxia
tentando desvendar toda essa falácia.
Mas o barulho foi pequeno
para que pudéssemos nos livrar deste veneno!...
As empresas, senhoras ricas e poderosas,
pouco preocupadas com nosso alvorecer cor de rosa,
mas sim com seus altos e excessivos lucros
deixando cada capixaba maluco,
doente das vias respiratórias
nesta linda e amada cidade de Vitória!

Na peregrinação deste nosso triste destino
sou uma voz abafada, que usa o teclado, a internet, o tino...
Que grita bem alto por ar puro,
mesmo pisoteada por homens tão sujos, insensíveis e duros.

Carmen Vervloet