sábado, 3 de outubro de 2015

Extravio

 
Neste meu crepúsculo
já não mais encontro
a face do meu sonho......
Perdeu-se no meu lusco-fusco,
cerrou seus olhos castanhos.
Busquei-a nas montanhas,
entre canteiros de rosas,
usei de mil artimanhas...
Mas a vida ardilosa
engendrou sua despedida
e a face do meu sonho,
numa nuvem solta,
ficou perdida.
 
Carmen Vervloet

Urgência


Qual beija-flor faminto
bato asas pelo mundo
em busca de néctar
que sacie minh’ alma.
Já não quero somente
beijos, abraços, carinhos...
Quero mais, quero muito,
quero tudo...
Já possuo amor,
o aconchego de um ninho.
Vejo o tempo se esgarçando
entre meus dedos
e tenho pressa.
Quero o prazer que
a liberdade me trás,
voar sobre paisagens
que encantem minh’ alma,
descobrir o inusitado
que  me surpreenda,
entrar por correntes de vento
que me façam perder o rumo,
voar, voar, voar
e sorver em um imenso trago
toda a beleza que enfeita a vida,
que no seu entardecer,
ainda sorri pra mim.
 
Carmen Vervloet

Eternamente


Saí de sua vida,
mas sei que guarda minha imagem em seus olhos,
 o gosto dos meus beijos em sua boca,
 o calor do meu corpo em seu corpo.
Saí de sua vida,
mas sei que toda noite chama por meu nome
 e na minha ausência
 envolve-se no lençol da minha saudade
 e deixa escorrer uma lágrima quente
que aquece a sua madrugada tão fria.
 
Carmen Vervloet

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Chama


 

 

Já nem sei se me matei
Ou se me atiraram de um penhasco
Se mataram os sonhos que sonhei
Ou se os prendi dentro de um frasco.
 
Vida, labaredas que queimam,
 Vida, tempo que se acaba,
O coração e a mente teimam
Em enfrentar de frente esta saga.
 
Sei que me perdi de mim
Embaracei-me em seu mistério,
Manchei a alegria com nanquim,
Distraí-me entre tantos critérios.
 
Mas a sua chama persiste em mim
E os meus pés insistem em caminhar...
Sei que não vou pisar sobre cetim,
mas entre pedras hei de me encontrar.
 
Carmen Vervloet
 
 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Tempo Avarento


O gerânio cor de rosa ontem tão lindo,
hoje tem seu tempo cortado ao meio,
suas pétalas uma a uma caindo
insensível ao olhar alheio.
 
A mulher, ontem florescente menina,
guarda seu passado na saudade...
Vai respirando em cada passo sua sina
no avançar das horas da idade.
 
Tudo na vida tem seu tempo
que segue num ritmo indiferente...
O tempo é um velho avarento
que não dá mais tempo pra gente.
 
Carmen Vervloet