quinta-feira, 10 de abril de 2014

O Gemido das Águas

 

 

O choro vão da água tristonha
Na sua escassez de cada dia
Já não desperta no homem a vergonha,
De devastar sua fonte de vida e energia.
 
Tão desperdiçada a pobre coitada,
Contaminada por lixo e poluição...
Sobre ela ameaça o gume da espada
Empunhada pela mão de quem não ouve a razão.
 
Corre em seu leito gemendo tanta dor
Golfando o lixo que a sufoca e mata...
Este outono mudou mais e mais sua cor,
Tirou-lhe o brilho cor-de-prata!
 
E triste ando pelas margens ermas
Recordando sua abundância do passado
Sentindo a desolação das águas enfermas
Enquanto sinos dobram aos finados.
 
Carmen Vervloet
 
 
 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O Universo e sua Lei



 

O infinito e misterioso universo
interligado por vibrações que se comunicam...
Quando a dor machuca
gemem os homens, gemem os ventos,
gemem os rios, geme a terra...
Gemem também as estrelas,
gemem outros planetas ligados
por esta mesma energia universal.
No nosso silêncio interior
 ouvimos o som dos anjos,
prevemos eventos não acontecidos,
sorrimos ou choramos unidos pela mesma chama
que emana deste todo.
E a luz dos nossos olhos humanos
 sentimos a vida em permanente mutação.
Uma flor já não é uma flor,
é um sopro de vida,
uma partícula do todo!
Acima da verdade aparente,
está a verdade velada desta teia global
que se mostra de uma forma sutil
e dá suas respostas conforme
a energia emanada por cada ser humano.
Um sorriso leva a uma enxurrada de sorrisos,
e o cosmo se ilumina, se alegra, fica em festa,
enquanto uma punhalada fere todo o conjunto
e a resposta sempre chega, para quem o feriu,
com a mesma intensidade.
Tudo que se faz, volta...
É a lei do universo.
 
Carmen Vervloet
 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Menina Esperança


 

Ah! Minha amiga esperança
Jovem menina de tranças,
Verdes olhos de criança,
Contigo firmei uma perene aliança.
 
Caminho ao teu lado todo dia
Temos mais que um casamento
Voamos num céu ingente de alegrias,
Pousamos num jardim de contentamento.
 
Às vezes és mais teimosa que eu
E insistes quando penso em fraquejar
Tu és dádiva do bom Deus
Ajuda-me as pedras ultrapassar.
 
Quando meu peito sangra em dor
Ferida pelo espinho que não se vê na flor
Combalida por este mundo agressor
Tu chegas se abrindo em pétalas de amor.
 
Carmen Vervloet
 
 
 
 


sexta-feira, 4 de abril de 2014

Canção da Esperança




 

Mola propulsora da vida,
Égide da alma perdida,
Cruza ruas, cruza avenidas,
Fonte... no coração nascida.
 
Esperança, estrela-guia...
Que norteia os meus passos
Sem você morre a alegria
E me exponho ao fracasso.
 
Você é a primavera
Que enfeita meu caminho
Agarro-me a você, como hera,
Sem você piso em espinhos.
 
Meu jardim tão colorido
Onde planto os meus sonhos
Entre suas flores protegido,
Meus lábios se abrem risonhos.
 
No seu verde eu me deito
E a força brota em mim
No aconchego do seu peito
Venço batalhas sem fim.
 
Carmen Vervloet
 
 

 

 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Perigos do Poder


 

O poder endurece o homem fraco...
Coração de aço, lâmina de dois gumes
que fere e corta sem dó.
 
O poder embrutece o homem fraco...
Cavalo selvagem que empina, derruba,
pisoteia e defeca.
 
O poder cega o homem fraco...
Trator sem farol que atropela todo aquele
que se posta à sua frente.
 
O poder corrompe o homem fraco...
Estômago voraz que nunca se satisfaz,
  deglute outros homens
para satisfazer sua ambição.
 
O poder embriaga o homem fraco...
Deturpa a ética, encanta o vaidoso,
que derruba, pisoteia,
 fere, mata, crucifica,
mas um dia escorrega
 na sua  própria vaidade...
Morre e apodrece
nos subterrâneos da sua solidão.
 
Carmen Vervloet