quinta-feira, 1 de março de 2012
Bruxinha de Luz
Inspiro-me nos livros de “Lobato” e “Coelho”
Levanto vôo nas asas da noite viúva
Unhas negras nos longos artelhos
Esparramo o bem nos arcos da chuva
Aranhas tecem ao meu redor
Enquanto no céu da minha inspiração
Alinhavo o início do tema maior...
Para os raios da lua cheia abro o portão.
Todos os símbolos da escuridão
Brotam nas páginas da imaginação
Mexo com força o frenético caldeirão
Que fervilha no mistério desta estranha criação
Rabisco epitáfios nas páginas sem pauta
Apago vampiros dos frutos do medo
Desenho duendes nas árvores mais altas
Com meu feitiço mudo o enredo.
Sou bruxa do bem, poeta e mulher
Protejo crianças que vivem no escuro
No meu caldeirão ninguém mete a colher
Com a boa leitura, a insipiência eu curo.
Carmen Vervloet
Canção da Água
Já fui água cristalina,
fui pura qual menina
que tem límpido coração
Sou a maior preciosidade,
sacio a sede da humanidade,
sacio a sede da plantação.
Sou água cor de diamante,
ando por lugares distantes
em busca de redenção.
Meus braços insistentes
partem da minha nascente
abraçando com toda afeição.
Já fui rio abundante,
refresquei calor escaldante
vertendo sem violação
Hoje sou fio de esperança
implorando a cada criança
que me dêem sua proteção
Se eu for assassinada
nem jardins, nem revoadas,
só cinzas de civilização
Urge que eu tenha respeito
pra correr límpida no leito
para que bata meu co-ra-ção...
Carmen Vervloet
Anos Dourados
Na mente "flashes" dos bailes românticos de antigamente
onde as moças, qual plumas, giravam pelo salão...
A alegria cabia apenas num sorriso e educadamente
no “grand finalle” o cavalheiro agradecia com um beijo na mão.
Os olhares se cruzavam perdidos em emoção
acendendo as fagulhas das asas do desejo...
A orquestra tocava valsa, bolero, samba canção,
o contato sutil dos lábios num tímido beijo.
Uma palavra de amor segredada baixinho ao ouvido,
o farfalhar das anáguas engomadas sob o vestido,
lembranças que guardo eternamente comigo
cerradas num frasco de Dioríssimo antigo.
Carmen Vervloet
Sonho Gestado
O sonho que sonhamos
precisa ser gestado
como o feto no ventre que
abriga, alimenta
e o deixa tomar forma lentamente.
Uma gestação sem tempo determinado,
onde se semeia sem normas,
sem rimas, sem receios,
mas com esperança e desejo.
Onde a emoção revela seus anseios
através das brechas do coração.
O querer entra em sintonia
com o universo
que conspira a nosso favor
e no encontro de suas energias
realiza-se a concretização.
O sonho floresce.
Carmen Vervloet
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Canto de Esperança
De dentro do meu coração
bateu asas o passarinho,
fugiu do seu alçapão
foi em busca de outros ninhos.
Foi cantando liberdade
entre fogos de artifícios
estimulado pelas festividades
num momento de armistício...
Feliz Ano Novo! Feliz Ano Novo!
Cantavam todos em uníssono.
Os anjos sorriam do alto,
o luar prateava o asfalto,
o povo brindava a chegada,
celebrava o novo ano...
Pedia felicidade,
fazia planos e planos.
Pedia saúde, alegria,
dinheiro e paz, muita paz...
E da torre da fantasia
meu sonhador passarinho
vislumbrou o que importa:
O pão de cada dia,
o amor adubado na horta,
as ondas de boa energia
invadindo cada porta.
A paz rompendo as comportas...
Só então pousou nos fios da esperança
e cantou feliz, feliz!
Carmen Vervloet
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