domingo, 17 de janeiro de 2010

Sedutora


Sedutora

Escrevo como se fosse
Para salvar a vida de alguém...
Escrevo como se fosse
Para salvar minha vida também.

Escrevo porque o sentimento
Fala mais alto do que eu...
Escrevo porque o momento
Num outro instante já morreu.

Escrevo porque o tempo urge
E a manhã varada de luz
Nem bem no horizonte surge
E já se apaga em meia luz.

Escrevo porque cada emoção
Que em letras bordo o papel
São palavras do coração
E giram em mim qual carrossel.

Escrevo apenas porque escrevo
E se sem motivos me atrevo
É porque da poesia sou cativo
E pleno me sinto vivo!

Carmen Vervloet

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Uma Prece



Chorei... Chorei tanto
e não consegui lavar
com meu pranto
tanta dor...
O horror de presenciar
tanto sofrimento
esse imenso tormento
que assola o Haiti.
E então peço a ti,
meu Jesus,
alivia deles a cruz,
estenda-lhes sua mão,
faça o milagre do pão,
dê-lhes um teto,
nem precisa ser completo,
mas que os abrigue
da chuva, do sol,
cubra-os com seu lençol
de esperança,
agasalhe suas crianças
com seu amor,
abrande o clamor
de tanta dor!
Só um milagre
pode transformar em vinho
o vinagre
do medo
que assola essa gente
que necessita urgente
de auxílio...
Um domicílio
para resgatar
suas vidas!

Carmen Vervloet

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Canção ao Luar



Nem sei o que aconteceu naquele dia
A lua surgiu, no céu, silenciosa e plena
Em luar pôs-me em estado de poesia
Embriagou-me com essência de alfazema!

Caí sobre o tapete relva no jardim,
Entreguei-me flor, alucinada de luar
Formosa, eu me abri em lascivo jasmim
E conjuguei em êxtase e paixão o amar!

Sobre meu corpo quente, um beijo doce,
Carícias e sensações que o vento trouxe,
Nos raios de prata da lua cheia...

Que então me cobria com seu manto
Enquanto você me embalava com seu canto
E minha alma fluía silente em suas veias!

Carmen Vervloet

sábado, 9 de janeiro de 2010

Tempo


Quem é você afinal?

Amigo ou algoz?

Nem bem chega

junto à luz do alvorecer

e já é breu na noite

que me abraça...

Rapidamente abafa

outro minuto

e segue indiferente

seu percurso.

Presente que já

expira o passado

e nem me deixa inspirar

ar puro,

já é futuro!

Não posso delimitar

sua velocidade,

nem seu tamanho...

E estranho

essa sua pressa

que me estressa.

O vento muda a direção...

As ondas do mar vêm e vão...

Mas você não...

Inflexível caminha

sempre em frente,

corrente que só leva

e não se importa

se deixa minha vida torta,

eu qual folha morta,

perplexo, ansiando

por sua volta

na lágrima

que se solta.


Carmen Vervloet

sábado, 2 de janeiro de 2010

De Cigarro em Cigarro...



Como entender

se o maior bem da vida é viver?

Se você tem consciência

dessa sua dependência

e deixa seus sonhos mirrar...

Ah! Nem sei o que imaginar...

Estou literalmente dentro de um hospital,

meus olhos vislumbram um fim fatal...

E neste momento mais importante que compreender

é dizer pra você

grite... peça socorro...

Plante em seus pulmões ar puro...

Vá à praia... suba morros... escale muros...

Vença sua fraqueza,

use de sua astúcia... realize esta difícil proeza...

Supere o vício que te absorve

e sua carência não resolve.

Não seja passiva,

abrace novas expectativas...

Faça-se locomotiva

e reboque outros vagões enfumaçados...

Não esconda atrás da fumaça

seus segredos e seus medos...

O cigarro é uma perigosa companhia,

aparentemente preenche sua alma vazia...

Mas cada baforada que sai da sua boca

vai asfixiando sua vontade,

cortando sua vida pela metade.

Sua voz cada vez mais rouca

dificilmente será ouvida

e sua escolha cada dia mais contundida!

O trago não alivia o peito,

isso é falsa conclusão,

o trago te levará fatalmente ao leito...

Leito da morte... por própria opção!

Se não se importa consigo

poupe quem está ao seu lado

não os mate asfixiados

submetidos ao seu vício,

peça ao cigarro um armistício.

Hoje ainda há tempo...

Mas amanhã... seu corpo cobrará...

E alto será o preço...

Um féretro... flores...

E sobre suas frias mãos um terço!


Carmen Vervloet