quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
PORTELA: SONHO INCINERADO
Tanta era a energia que tudo se incendiou,
na euforia da folia o fogo se alastrou...
Queimou alegorias, o sonho cinza ficou
destruiu as fantasias, a lágrima escorregou.
A esperança deu lugar à incerteza,
todavia a fé não se abalou!
Máscaras não encobrem a tristeza,
a determinação em azul se pintou.
Na devoção de cada apaixonado portelense
a certeza de um novo caminho encontrar.
No coração folião fluminense,
sem navios e sem riquezas, o samba vai arrasar
Sem amarras e sem lamentos,
a escola com garra na avenida desfilará
Nada impedirá seu momento
Toda de azul, abençoada por Yemanjá.
As baquetas do coração
desenhando evoluções,
na força do seu pavilhão,
sambando sobre as cinzas das frustrações.
Carmen Vervloet
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
(RE)CANTO DOS PÁSSAROS
No chão coberto por denso mato
principia um sonho lindo,
o começo do primeiro ato
no palco agreste do vigor infindo.
Os pássaros tomam a cena
e entre trinados e gorjeios
pousam felizes sobre os pés de açucenas
despertando mais e mais o nosso anseio.
A procura pelo nome do novo paraíso,
o projeto da casa, a sua localização...
A imaginação sobeja entre sorrisos
busca do sonho a concretização.
Mas lá do alto, imponente e solitária,
dançando ao vento, graciosa e feliz,
a jabuticabeira rainha centenária
veste seu manto bordado em verde matiz.
Carmen Vervloet
v
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
AMOR TAMBÉM É COMPROMETIMENTO
Era primavera. A exuberância das flores encantava os olhos. Dias amenos, onde a esperança pulsava no coração e a alegria dava um brilho mais intenso ao olhar. Lembro-me bem, final de setembro de 2006.
Nos palanques os mesmos discursos, as mesmas promessas criando uma falsa expectativa para o povo sofrido. Era véspera de eleição, tudo iria mudar para sempre. Hospitais seriam reformados e aparelhados, outros tantos seriam construídos, escolas para todos, desemprego coisa do passado, alimentos fartos, violência eliminada. Os jornais repletos de notícias de programas políticos brilhantemente desenhados em papel.
Maria que catava jornais para sobreviver, nem sabia destas notícias. A pobre coitada era analfabeta, provavelmente por falta de oportunidade, já que Maria não fugia à luta. Os jornais serviam-lhe apenas para conseguir alguns míseros “trocados” para matar a fome da família e, sobretudo para agasalhar seus filhos nas madrugadas mais frias. Eram lençóis, colchões e travesseiros para sua família que vivia sob uma ponte. Pobre Maria! Pobres crianças! Maltratadas, sofridas, criadas nas ruas, esmolando nos semáforos. Maria sofria, Maria chorava! Era analfabeta, miserável, mas amava seus filhos! E como amava... Lutava como uma leoa para proteger suas crias. Lutava e padecia, porque nem o mínimo conseguia. A fome espreitava com olhos de insídia.
Passaram-se dois anos e as promessas se perderam ao vento, os programas não saíram do papel. Os políticos eleitos desviando dinheiro numa corrupção jamais vista no nosso amado Brasil. Dinheiro em cueca, dinheiro em meias, dinheiro em malotes, em cofres residenciais, contas em paraísos fiscais. A impunidade reinando. E Maria continuava lá, na mesma vida miserável. Paulo, o filho mais velho, envolveu-se com drogas e morreu assassinado numa esquina de um bairro nobre da cidade. Teve a cabeça esmagada por uma pedra. Antonio, o filho caçula, morreu de uma simples pneumonia, nos corredores de um posto de saúde por falta de atendimento. Subnutrido não resistiu à doença.
Então Maria, na sua imensa dor disse: Homens, onde está o amor? A vida é dádiva de Deus e todos têm o dever de respeitá-la. Sou pobre, mas sou gente! Tiraram-me dois dos meus três únicos tesouros. Por negligência, por egoísmo, por crueldade, por falta de sensibilidade! O coração de vocês é de pedra! Foi esse coração de pedra que esmagou a cabeça do meu menino. Foi esse coração de pedra que não deu a ele a oportunidade de uma escola, de uma profissão. Foi também esse coração de pedra que desviou o dinheiro destinado à saúde. Vocês mataram meus filhos. Assassinos! Assassinos! Assassinos! E saiu desnorteada pelas ruas, seguida de Pedro, o filho que lhe restou.
Os jornais deram grande destaque ao fato, que logo foi esquecido. E tudo continuou do mesmo jeito. O desamor reinando nos Palácios, os corações secos da seiva do amor. A sujeira cercando a consciência de quem por falta de amor não quer contribuir para a evolução do ser humano, trapos, num monte de lixo.
Neste Novo Ano que se inicia vamos colocar em nossa lista de desejos o nosso pedido a Deus para que ilumine, oriente e guie nossos novos dirigentes para que elevem suas consciências para essa realidade tão triste e feia e que se comprometam de fato para que a fome, a miséria, o analfabetismo, a violência sejam extirpados de vez do nosso rico e amável Brasil. Que possam merecer verdadeiramente a confiança do povo que os elegeu. Assim seja!
Carmen Vervloet
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
CONFISSÃO
Amo-te tanto, amor... jamais suspeite
deste amor, tão belo, nem um segundo.
Simplesmente abra teu coração e aceite,
se em seiva me proponho neste seco mundo.
Amo-te com um amor sem mistério e sem virtude,
com uma força que não cabe na poesia,
nem mesmo em canções choradas no alaúde,
amo-te enfim no sofrimento e na alegria.
Amo-te com doçura e desejo permanente...
De um amor que encante teu pensamento,
amo-te tanto que no verso sou insistente,
amo-te com desejo, ternura e sentimento.
E se no verso me declaro simplesmente,
é que minha vida sem ti é um sofrimento.
Sem ti, murcho... morro de amor, doente!
Carmen Vervloet
sábado, 5 de fevereiro de 2011
COM AÇÚCAR, COM AFETO
Palavras de carinho
sussurradas de mansinho
reverberam no infinito...
Som delicado, bonito,
volta pro coração
como acordes de violão...
Doce melodia,
notas dedilhadas
lá... com afeição,
(no coração)
em sol de bem querer!
Energia esparramada...
Inspiração na jornada,
movimento, cor...
Luz na caminhada
alma impregnada de doçura,
força extra... nos ecos de
dó, ré, mi, fá, sol, lá, si...
E as ondas se repetem:
Eu sei que vou te amar,
com açúcar, com afeto...
afeto... afeto... afeto...
Por que canta o coração?
Carmen Vervloet
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