sábado, 9 de abril de 2011
ÁGUA - ESSÊNCIA DA VIDA
Em louco acometimento
os homens esmagam a esperança,
sem dó, nem sentimento.
Poluem as cristalinas
doces águas da vida.
Invalidam a decência
na sua demência...
Não ouvem o pedido
de clemência
das agonizantes águas
cheias de mágoa!
Existência... essência...
Sopro da terra,
fios de vida em guerra
com poluentes,
rios doentes
destempero de lixo
esguichos de loucura
e tortura...
Esgotos adentram
ao seu leito,
sem nenhum respeito!
Levam saúde... sonhos... vida...
Deixam o planeta sem saída...
Apagam em sordidez
um alvorecer risonho,
matam a mão armada
águas esparramadas,
poluídas, perdidas,
na terra agredida,
ressentida, dorida...
Que grita por vida!
Carmen Vervloet
terça-feira, 5 de abril de 2011
DOCE ALVORECER
Como anular a luz
que a manhã irradia
se é nascente que jorra alegria
que em silêncio habita
no ventre do novo dia?
Raios de sol que incendeiam o mar
e se transmutam em gestos de cortesia
e nas ondas do sonhar
lembro que vão se apagar
devoro o momento qual doce iguaria.
Fonte que jorra energia...
A praia que se acende,
o canto lírico da cotovia,
a flor que se abre silente
dando vida a um mundo de poesia...
Carmen Vervloet
segunda-feira, 4 de abril de 2011
SERENATA DE AMOR
Acordo no meio da noite a sonhar
a lua desliza com as bochechas cheias de vento
ouço ao longe uma voz a cantar
e o som não identificado de um doce instrumento
Levanto-me silenciosamente e abro a janela
reconheço o som suave do violão
a natureza pálida, linda aquarela
borda em estrelas meu coração
O som agora nítido e forte
“Carmen, te amo... te adoro... te quero...
outra vez”...
meu coração viaja lânguido, sem passaporte
entrego-me ao momento que tanto espero,
sem talvez
Serenata de amor ao luar
a beleza da noite flutuando no ar
as flores umedecidas pelo sereno
fazem um bailado em êxtase pleno
Toda a natureza baila ao ritmo do violão
meu amor soltando a voz na canção
“Carmen a hora é agora não vamos deixar passar”
sou apenas um sonho de amor ao luar
As plantas se agitam no meu jardim
as trepadeiras sobem, enroscam-se, caem de novo...
o perfume exala dos brancos jasmins
o pintinho feliz, piando, deixa seu ovo...
Pequenos detalhes que só enxerga o coração
detalhes de vida, de luz, de amor em ação
detalhes que se tornam gigantes como o mar
detalhes sutis percebidos pelo amar
E a serenata continua
seguindo o deslizar da lua
num violão chorado...
acordando o passado
Carmen Vervloet
domingo, 3 de abril de 2011
AVE TERRA
Ave Terra,
cheia de graça!
Lindo planeta azul
com que o Senhor
nos obsequiou...
Bendito seja o fruto
que gestas em tuas entranhas,
alimento que fortalece,
dá saúde e vida
aos que te habitam.
Benditas sejam as águas,
que vertes em abundância,
que saciam a sede
de todos os seres vivos.
Benditas sejam tuas matas,
pulmões do mundo
que imploro a Deus
sejam respeitadas e preservadas.
Santa Terra,
mãe de todos os homens,
rogai por nós, pecadores,
que tanto te maltratamos
e ferimos sem piedade,
deixando pássaros sem asas,
fauna e flora em extinção,
árvores tombadas,
o solo partido a mostrar
artérias vazias,
crateras que são
horrendos sepulcros,
visão do inferno!
Santa mãe Terra,
rogai por nós,
homens estúpidos,
que precipitando sua morte,
precipitamos a nossa
morte também!
Amém
Carmen Vervloet
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