terça-feira, 10 de junho de 2014

Música



 

Vou, em seus acordes,
para um mundo de paz
onde os sonhos flutuam leves
e o coração repousa sem mágoas.
Não existe parede separando
corpo e espírito.
Juntos, sentados na mesma poltrona,
envolvidos num xale de seda
somos conduzidos por este som mágico
a um salão onde só existe encantamento,
onde dançamos no ritmo da alegria,
felizes e soltos feito o beija-flor
sugando o néctar da rosa,
trêmula de orvalho .
 
Carmen Vervloet
 
 

domingo, 8 de junho de 2014

Limite




 Neste meu crepúsculo
já não mais encontro
a face do meu sonho...
Perdeu-se no meu lusco-fusco,
cerrou seus olhos castanhos.
Busquei-a nas montanhas,
entre canteiros de rosas,
usei de mil artimanhas...
Mas a vida ardilosa
engendrou sua despedida
e a face do meu sonho,
numa nuvem solta,
ficou perdida.
 
Carmen Vervloet

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Alma Antiga




 

Como escrever sem rimas
e sem metáforas
se minha alma é tão antiga?!
Seria podá-la de sua livre expressão,
sufocando seu sopro,
calando sua música,
impedindo seu ritmo,
não deixando a canção
nascer nos versos,
tirando da poesia seu saiote de tule,
suas sapatilhas de cetim,
impedindo-a de bailar livre sobre o coração...
Fincando seus pés nesta modernidade,
onde o homem e a máquina se confundem.
 
Carmen Vervloet
 

terça-feira, 3 de junho de 2014

Devaneios





Tens nas mãos afagos de veludo
e um sorriso branco feito jasmim,
tens um não sei que de menino
e tanto amor no coração.
Teus olhos um lago manso
onde me banho com paixão,
onde penetro e descanso,
onde me afogo em tanta afeição.
Em teu corpo tantos caminhos
por onde ando e me perco...
Mas me aconchegas no teu abraço
e me seguras nos meus tropeços.
Tens no cérebro tanta loucura
por onde escapo de tantos laços
e fujo da saudade de nós dois.
 
Carmen Vervloet

domingo, 1 de junho de 2014

Peregrino





Tenho os olhos cheios de estradas,
uma vontade louca de caminhar...
Por mais que sinta o cansaço
meu corpo não me fará parar.
 
Tenho o coração cheio de sonhos,
uma criança viva a me incentivar,
tenho tanta esperança nos meus passos,
só não sei onde vou chegar.
 
Tenho as mãos cheias de carinho
e braços que querem abraçar...
Tenho alma antiga cheia de ternura,
 asas cheias de infinito prontas para voar.
 
Na peregrinação deste meu destino
sou querer disfarçado em peregrino,
sou aspiração disfarçada em mulher,
sou fragmento de sol posto e alvorada.
 
Carmen Vervloet