terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Soneto de Aniversário

Não me curvo ante as ciladas da idade...
Absorvo a sabedoria com que me presenteia,
Mas uso de minha parceira criatividade
Para suprimir tudo que nela me chateia.
 
A marcha já não acompanha a mente
Que dança ligeira entre résteas de luz,
Tecendo projetos, mil sonhos frementes,
Que suavizam este entardecer que me conduz.
 
Existe vida em cada passo que dou...
Os anos passam e as horas se vão,
 Mas ficam as marcas dos meus pés no chão.
 
As perdas vividas o tempo abrandou...
A alegria semeada no meu jardim
Perfuma minh’alma como se fosse jasmim.
 
Carmen Vervloet
 
 
 

Haicai

Seu sorriso luz
Seu corpo sol
Eu girassol
 
Carmen Vervloet

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Perfume

Gosto de me perfumar em segredo,
o perfume intensifica o que sou,
escolho meu perfume a dedo...
Ele anuncia por onde vou.
 
Perfume é marca da gente,
mistério a ser desvendado,
aguça o corpo e a mente...
Ele identifica calado.
 
Tem alma o meu perfume,
sutil como um fio de seda,
pode levar ao cume...
Capaz de acender labaredas.
 
A essência do meu cheiro
muitos haverão de lembrar,
o aroma é alvissareiro...
Tanta magia há de ficar!
 
Carmen Vervloet
 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Praças

 
As estátuas azinhavradas
guardam seu silêncio de bronze.
Os bancos de cimento
simbolizando a selva de pedras, vazios...
Apenas um ou outro mendigo
dormindo sobre sua superfície gelada.
Já não se vê carrinhos de bebê
e suas amas de avental branco...
Os riscos iminentes mantêm
as crianças reféns do computador,
presas nos seus apartamentos
 cada vez menores.
A insegurança tolhe a liberdade,
tolhe a alegria
e incentiva o medo,
provocado pela consciência do perigo.
Onde se esconde o barulho
da meninada brincando de roda,
jogando peteca, andando de bicicleta
em torno das praças?
Onde está a segurança
que existia no passado?
Ouço apenas o farfalhar das folhas
movidas pelo vento.
No mais, um silêncio sombrio...
Ninguém responde!
 
Carmen Vervloet
 
 
 
 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Algoz

O tempo mastiga os homens:
mandíbulas  frenéticas,
sem tempo pra degustar.
Alimenta-se deles sem dó
e deseja (inconsciente?)
 que logo virem pó.
O tempo sorve os homens,
como o mar sorve embarcações,
levando-as para abaixo da superfície,
num mergulho profundo e sem volta.
O tempo dejeta os homens:
o abatimento, a doença, a morte,
o silêncio, a solidão...
 
Carmen Vervloet